Museu do Surfe reabre em Cabo Frio

Novos critérios para o Mapa do Turismo Brasileiro
12 de dezembro de 2015
Lei que regulamenta relação de parcerias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil entrará em vigor em janeiro
25 de dezembro de 2015
Compartilhe

Fechado há dois anos, espaço abre as portas com acervo de 850 pranchas. Uma boa notícia para os surfistas e amantes do esporte. Até o fim do mês, o Museu do Surfe volta a funcionar em Cabo Frio. Primeiro e único espaço do gênero dedicado ao surfe no Brasil, o museu fechou as portas em 2013, mas o acervo de cerca de 850 pranchas, entre tantos outros objetos da cultura praiana, permaneceu bem guardado pelo proprietário e surfista apaixonado Telmo Moraes. Agora, parte deste material ficará exposta no Shopping Park Lagos, junto com outras novidades acrescentadas à coleção nos últimos dois anos.

— Ninguém no mundo tem tanta prancha. Todos os momentos do esporte, a evolução dos equipamentos, é possível ver de perto. É coisa de psicotrunk. Quem vê endoidece — garante o bem humorado colecionador.

Gabriel Medina, Adriano de Souza e Filipe Toledo estão agora no Havaí em busca do título mundial de surfe nas ondas de Pipeline. E uma das raridades do museu é a prancha vencedora da mesma etapa de Pipeline, mas de 1982, usada pelo havaiano Michael Ho. A peça foi feita pelas mãos do lendário surfista australiano Simon Anderson, que, em 1981, foi o primeiro a desenhar pranchas com três quilhas, usadas até hoje. As primeiras tábuas nem tinham quilhas, depois passaram a ter uma e evoluíram para duas, até que Simon descobriu a melhor performance com as triquilhas. O que pode parecer um detalhe para quem não é do ramo, foi importantíssimo para a evolução do esporte. Por isso, o museu conta também com 590 quilhas de diferentes épocas e pranchas.

— Uma vez um cara reconheceu uma antiga prancha dele no museu e me ofereceu um carro em troca. Sempre aparece alguém que reconhece uma prancha histórica. Às vezes é o antigo dono. Morro de dó, mas não vendo — revela.

A prancha mais antiga do acervo é de 1964, ano em que as primeiras pranchas de surfe, feitas de fibra de vidro, chegaram ao Brasil. Antes disso, as pranchas eram de madeirite, literalmente chamadas de tábuas. Das antigas às atuais, o acervo tem de tudo. Desde as peças feitas de isopor até pranchões para ondas gigantes, como a usada pelo famoso californiano Jeff Clark. Além disso, Telmo coleciona dezenas de roupas de borracha para águas geladas, cordinhas para prender o equipamento aos pés, troféus e parafinas, todos de diferentes épocas. E alguns automóveis antigos.

PUBLICIDADE

Entre os carros “do surfe”, destaca-se o charmoso jipinho Iguana 1989, versão brasileira do inglês Mini Moke. Outro que vai ao museu é o impecável Fusca 1962, usado no dia a dia por Moraes.

O colecionador foi obrigado a fechar o Museu do Surfe em 2013 depois que, segundo ele, a prefeitura de Cabo Frio não renovou o contrato de cessão do antigo espaço, que funcionava na Praça da Cidadania, na Praia do Forte.

— Mesmo sem museu, eu nunca parei de garimpar itens novos. A coleção está toda guardada, só falta o espaço definitivo — diz Moraes.

museudosurfe

Telmo Moraes é o proprietário do acervo, que conta com pranchas históricas – Pedro Teixeira / Agência O Globo

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate