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Antes mesmo do início oficial do Festival Sesc de Inverno 2026, o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, já abriu as portas para uma nova exposição de longa duração. Batizada de Mais belo é o rio que corre, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas do Brasil e de outros países, com entrada gratuita até fevereiro do próximo ano.
Assinada pelo curador Marcelo Campos, com assistência de curadoria de Rodrigo Duarte, a exposição parte de uma imagem simples para construir seu conceito central: o encontro de dois rios, que podem correr lado a lado por um trecho, mantendo cores e densidades próprias, antes de finalmente se misturarem. Mesmo depois de unidos, cada um carrega consigo sua origem. É esse fenômeno, chamado de confluência, que serve de fio condutor para pensar encontros que ampliam e transformam sem apagar diferenças.
A curadoria dialoga com referências como a poesia de Alberto Caeiro e o pensamento do intelectual Antônio Bispo dos Santos, tecendo relações entre os fluxos das águas e a confluência entre saberes, pessoas e tempos distintos. A escolha do tema também conversa diretamente com o conceito da edição 2026 do Festival Sesc de Inverno, que adotou o verbo afluir como símbolo de encontro e celebração dos 80 anos do Sesc.
Para aprofundar essas reflexões, a mostra conta com textos inéditos encomendados a autores contemporâneos, entre eles Leda Maria Martins, Jeferson Tenório, Itamar Vieira Junior e Marcia Kambeba, que assinam produções literárias voltadas a temas como memória, território, ancestralidade e formas de existência.
O recorte de artistas participantes privilegia países latino-americanos, como Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, mas também inclui nomes de nações como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras selecionadas observam territórios fronteiriços e tratam os rios como entidades vivas, essenciais à manutenção da biodiversidade e dos ciclos naturais.
Um dos pontos altos do percurso é uma instalação inédita concebida especialmente para a cúpula do centro cultural pelo artista chileno Alfredo Jaar. A mostra também reserva espaço para experiências imersivas de arte cinética, em diálogo com nomes como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, com instalações de luz e movimento que remetem ao banzeiro, termo amazônico usado para descrever o balanço intenso das águas e a sensação de vertigem que ele provoca.
Também chama atenção a instalação Serpentes, do artista Jaider Esbell, que ocupa pela primeira vez o lago do Centro Cultural Sesc Quitandinha com esculturas infláveis, ampliando a relação entre a mostra e a paisagem ao redor. Completam a lista de participantes artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija Skarnulyte.
Ao reunir artistas plásticos, escritores e diferentes formas de olhar para as águas, a exposição convida o público a enxergar os rios não apenas como recursos naturais, mas como presenças vivas, essenciais à continuidade da vida. Em um momento de crise climática, a proposta é justamente pensar novas formas de convivência, mais atentas à diversidade e à interdependência entre os seres.
SERVIÇO: Exposição Mais belo é o rio que corre. Centro Cultural Sesc Quitandinha, Avenida Joaquim Rolla, 2, Quitandinha, Petrópolis. Visitação de 28 de junho de 2026 a 28 de fevereiro de 2027, de terça a domingo e feriados, das 10h às 17h. Entrada gratuita.




