CONSELHO COBRA NOMEAÇÃO DO NOVO GESTOR DO PARQUE DA COSTA DO SOL

Publicado por Marco Navega em 27 de agosto de 2020

Maior parque segmentado do Brasil, com cerca de um milhão de metros quadrados, o Parque Estadual da Costa do Sol (PECS) está sem comando desde 16 de junho, quando foi publicada a exoneração do chefe Marcelo Morel. Um gigante, criado em abril de 2011, o PECS protege ecossistemas (lagoas, restingas, praias, dunas, sambaquis e florestas) de seis municípios: Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios.

A falta de comando levou o Conselho Consultivo do PECS a cobrar, através de uma carta, a nomeação de um novo chefe “que consiga resolver os muitos problemas existentes”. A nomeação do novo gestor também abrange a escolha da direção das Unidas de Proteção Ambiental (APAs), vinculadas ao parque. O documento foi encaminhado ao gerente de Unidades de Conservação do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), André Veiga.

-- Os conselheiros consideram importante que o novo gestor tenha conhecimento básico sobre manejo e conservação de recursos naturais, legislação e políticas ambientais. Fundamental que tenha experiência em gestão de unidades de conservação e conheça o PECS, seus conflitos e desafios, além de estar preparado para trabalhar em parceria com o Conselho Consultivo nos planos setoriais, essenciais na efetivação do parque – apelou o secretário-executivo do Conselho, Roberto Noronha.

Em resposta, André Veiga admitiu a importância das reivindicações do Conselho para continuidade da gestão no parque, “tão importante para a conservação do bioma Mata Atlântica da região”, mas alegou que até o momento não foi escolhido o sucessor de Marcelo Morel. Em nota, o INEA informou que “está em andamento a substituição do gestor do Parque Estadual da Costa do Sol”.

-- Na carta, manifestamos a necessidade da nomeação imediata dos gestores do PECS e da Apa do Pau Brasil (Cabo Frio e Búzios), tendo em vista o número grande de demandas existentes nestas unidades. Mostramos também a importância da manutenção de recursos materiais e humanos na gestão das unidades de conservação – acrescentou Noronha.

As invasões e queimadas são alguns dos problemas das áreas protegidas pelo PECS. O Plano de Manejo, aprovado somente em abril de 2019 sob pressão judicial, ainda não foi colocado em prática. O plano regulamenta a visitação pública do parque, abrindo-o para o turismo. O PECS, de proteção integral, e a APA também carecem de guarda-parques e de uma brigada para combate a incêndios florestais.

FOTO: Muito procurado por trilheiros, o Morro do Vigia, no Peró, é um dos ecossistemas do Parque da Costa do Sol. Foto de Ernesto Galiotto.