
O tradicional bloco Boi Tolo ganhou projeção internacional nesta semana ao ser tema de uma reportagem do The New York Times. Com o título “A Rio Carnival Party That Goes On and On” (“Uma festa de carnaval no Rio que continua e continua”), o jornal descreve o cortejo como uma celebração vibrante, espontânea e essencialmente popular, distante do glamour dos desfiles oficiais.
O bloco, que completou 20 anos, arrastou uma multidão no último domingo (15) em uma maratona que atravessou o Centro da cidade até a Zona Sul. Sem horário fixo, trajeto definido ou roteiro oficial, o Boi Tolo foi descrito pelo jornal como uma “maratona itinerante”, reunindo milhares de foliões que marcham pela cidade em ritmo frenético.
Neste ano, o cortejo foi dividido em três “boiadas”, que partiram de diferentes pontos do Centro e se encontraram no Túnel Novo, ligação entre Botafogo e Copacabana, considerado o auge do desfile. Muitos participantes caminharam cerca de 10 quilômetros ao longo do dia. O jornal também destacou o desafio físico de acompanhar o bloco. “‘Ao longo do caminho, você começa a se perguntar: Será que eu desisto?’, disse um folião. ‘É como o teste definitivo da sua resistência.’” A energia, no entanto, parece sempre falar mais alto.
A origem do nome, segundo a reportagem, reforça o espírito irreverente do carnaval de rua. Há duas décadas, um grupo foi a uma praça atrás de um bloco anunciado no jornal, que não existia. Frustrados, decidiram improvisar. Um dos foliões escreveu “Boi Tolo” em um pedaço de papelão, com batom, assumindo a própria ingenuidade por terem caído no anúncio errado. Nascia ali um dos blocos mais emblemáticos da cidade.
O texto enfatiza ainda o caráter coletivo da festa. “‘O Boi Tolo só existe porque as pessoas querem que ele exista. O carnaval é feito na rua. É feito pelo povo’, afirmou um dos fundadores.”
O ponto alto, segundo o Times, acontece quando o cortejo atravessa os túneis rumo à orla. O som ecoa, a batida acelera e a multidão explode em euforia. Após cerca de 12 horas de desfile, muitos ainda resistiam a ir embora. Na areia de Copacabana, o coro que se repetia sintetizava o espírito do bloco: “Eu não vou embora! Eu não vou para casa!”




